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DATA
29 de outubro
HORA
14h30
LOCAL
Iscte, Ed.4, Sala B226
ORADORA
Jéssica Reis Evangelista, Doutoranda na Unicamp (Brasil) e Investigadora Visitante no CIES-Iscte
COMENTÁRIO
Filipa Pinho, Investigadora integrada no CIES-Iscte
RESUMO
A pesquisa investiga as repercussões, a longo prazo, da mobilidade estudantil internacional nas trajetórias pessoal, acadêmica e profissional de egressos da graduação-sanduíche do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Entre 2011 e 2016, o programa concedeu 78,9 mil bolsas a graduandos das áreas estratégicas de ciência e tecnologia, com vistas à promoção do desenvolvimento nacional. Embora o CsF represente a maior política brasileira de internacionalização, o acompanhamento e a avaliação das trajetórias de seus egressos ainda são escassos. Diante dessa lacuna, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa que contou com estratégias combinadas de construção de dados por meio da aplicação de questionário online que resultou em 861 respostas válidas e da realização de 78 entrevistas narrativas com base nas orientacões teóricas-metodológicas de Fritz Schütze. Os resultados parciais revelam um perfil de egresso majoritariamente composto por pessoas cisgênero, sendo 51,92% homens e 46,57% mulheres, brancas (67,48%), sem deficiência (95,70%) e oriundas de contextos familiares e escolares privilegiados. Esses dados convergem com os resultados de outras investigações que evidenciam as desigualdades de acesso ao programa. Quanto às repercussões da mobilidade, o CsF representou um momento de inflexão nas trajetórias de seus egressos, com efeitos identitários, linguísticos, culturais e profissionais ao ampliar o horizonte e as possibilidades de atuação no Brasil e no exterior. Verifica-se que 76% possuem pós-graduação, 66% trabalham na mesma área de formação, 71,78% recebem salários médios-altos e altos e 23,23% moram no exterior. Apesar das repercussões positivas, é preciso considerar dois aspectos: i) o contexto da mobilidade, incluindo país, língua, duração do intercâmbio e os marcadores de gênero, cor/raça, classe, deficiência e território, e ii) o retorno ao país de origem, atravessado pelo sentimento de não pertencimento, pela dificuldade de convalidação dos créditos, por questões de saúde mental e pela ausência de espaços institucionais de acolhimento e compartilhamento da experiência internacional.